Marya – Poemas

Cidade dos Ventos

Meu destino e minha despedida
são no templo de Fujin.
A chegada é anunciada
Na encruzilhada entre
rio e mar,
Suas rajadas vêm informar
que chegamos aos limites de casa.
As janelas gritam,
Os cabelos embaraçam em pânico,
e as roupas tremem
Ao toque dos Venti guardiões
do palácio,
que nos observa cruzar com seus grandes olhos janela
como Das Águias,
como torre vigia.
É a torre dos ventos,
diretamente de Atenas.

Esse território guarda divindade,
pois o mesmo Kamikaze que
defendeu exércitos inteiros,
espalhou marinheiros,
descobriu colônias,
e que no princípio
limpou da Terra o nevoeiro que a cobria,
É o mesmo vento que espalha nossas sementes,
Garante nossos surfistas,
E esfria meu café,
que inutilmente insisto em levar ao entardecer do mar.

Talvez o centro do planeta,
Pois, como diz o ditado:
“O vento que sopra lá,
sopra cá”.
Se depender disso,
aqui se reúnem Peru, Espanha e Egito.
Afinal, o nosso Nordestão tem potencial para rajada global,
pode confiar!
E enquanto trás tanto de tantos, levaria consigo ao mundo
Partículas do nosso sotaque cantado,
De nossa maresia,
Do cheiro de mel frutado,
E de peixe recém chegado no porto.

Assim vai seguindo,
Sempre global e circular,
Nos trazendo e levando de volta
Nunca no meio do caminho.
Sempre escoltados pelos Venti,
que assim como nos receberam,
nos deixaram,
e um calor abafado invadiu o ônibus.

Assim somos nós,
pássaros equilibristas.
Sobrevivendo dia após dia
em nossas árvores de ferro,
esperando o entardecer
para encontrar nosso refúgio quente,
em meio a tanto aço frio.
Sempre equilibrados na linha tênue,
da vida frágil e efêmera
que descansa pousada em
fios de alta tensão.